Mariana, 21 de Julho de 2017

Projeto de Restauro

Projeto propõe a restauração da Câmara


Equipe de pesquisadores da UFMG realiza estudo para recuperar prédio de 1768, que já foi sede dos três poderes e hoje abriga o Legislativo de Mariana

O passar dos anos é impiedoso com as construções. Ele é o vilão da arquitetura. Mais de dois séculos desde o início da construção da primeira Casa Legislativa de Minas Gerais, em 1768, o prédio da Câmara Municipal de Mariana sofre com as intempéries do tempo. Este fato chamou a atenção de pesquisadores, historiadores, professores de arquitetura e autoridades sobre a importância da restauração das atuais instalações, além da necessidade de adequação do espaço físico.


O prédio já foi sede dos três poderes, representou importante papel na fundição do ouro extraído da região e até foi cenário mais sombrio, funcionando como senzala e, posteriormente, cadeia. Hoje, abriga o Poder Legislativo de Mariana, além de ser um dos pontos turísticos mais conhecidos do município.


Iniciado em agosto, um projeto de restauração está sendo realizado por uma equipe de professores e estudantes de vários cursos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com a coordenação do professor Leonardo Barci Castriota.


A equipe realizou um estudo arquitetônico da Câmara, emque mediu e redesenhou todo o prédio, incluindo seus anexos. Destacaram-se problemas como: o pequeno espaço do plenário, que dificulta a participação popular; a deficiência na segurança, com riscos de arrombamentos e incêndios; e o espaço interno limitado do prédio, insuficiente e inadequado para a instalação dos gabinetes dos dez vereadores, que hoje atendem em diversos locais de Mariana, o que gera gastos para a Câmara com o aluguel desses espaços.


Assim, além da restauração do prédio e da melhoria na estrutura de segurança, será proposta a construção de um anexo, atrás do edifício principal, para instalar os novos gabinetes, concentrando os trabalhos do Legislativo em um só local.

Para a responsável pelo levantamento histórico do prédio da Câmara, Fernanda Trindade, “é de grande importância não esvaziar por completo o prédio, pois há o risco de se perderem os valores agregados a construção”, enfatiza, referindo-se à construção do anexo para os gabinetes.


Por isso, o projeto não valoriza apenas os valores físicos da construção. O plano de trabalho busca entender, também, quais são os valores atribuídos ao prédio por diferentes grupos de pessoas. A importância desta fase do projeto é a de manter as características singulares da edificação, como os pontos que possuem mais representatividade para a população, os funcionários da Câmara e até mesmo para os turistas.


A autoria do projeto do prédio é dada a José Pereira Arouca, mas, na verdade, pertence a José Pereira dos Santos, seu mestre. Arouca comandou a obra por boa parte de sua construção e, ao assiná-la, assumiu também a obra do mestre como se fosse sua.



Pesquisa ouve população e turistas

A equipe do projeto de restauro da Câmara procurou evidenciar quais os principais valores agregados ao prédio e decidiu dividir o público da pesquisa em três grupos: vereadores e funcionários; moradores do entorno e frequentadores da Câmara; e turistas.


Em relação ao primeiro, o método de estudo utilizado foi o conhecido como Zopp, uma sigla em alemão que significa planejamento de projeto orientado por objetivo, que busca levantar uma árvore de problemas do local estudado, gerando outra árvore, desta vez de soluções. A escolha se deu em função da maior proximidade e afinidade dos participantes com a construção.


Para o grupo de moradores e pessoas ligadas ao prédio, inicialmente trabalhou-se com grupos focais, para envolver a população na discussão do projeto. Entretanto, o método não atingiu a eficácia esperada devido à baixa participação. Em seu lugar, o grupo foi convidado a expressar o que o prédio da Câmara significa através de um desenho. Uma psicóloga irá analisar o material para traçar o mapa mental dos entrevistados sobre a construção. Por fim, será realizada uma sondagem junto aos turistas que visitam o prédio.


Após a conclusão dos estudos, a equipe irá reunir os resultados para definir uma proposta de restauro, que será enviada para análise do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Natural (IPHAN). A duração total do projeto ainda é indeterminada, pois pode haver demora na aprovação da obra, devido a sua complexidade.



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